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Artigo: Administração em Saúde e 30 anos do Sistema Único de Saúde (SUS)

por gabriel publicado 27/03/2018 10h55, última modificação 06/04/2018 10h09


Por Gestor Kelson Alves Granja - Profissional de Administração

Podemos iniciar nossa análise, questionando o porquê de tantas reclamações e ao mesmo tempo o sucesso na saúde brasileira - em algumas instituições de saúde, há precariedade nos atendimentos oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), falta de medicamentos, pessoal técnico, impossibilidade de realização dos mais diversos procedimentos e por outro lado há instituições onde os atendimentos do SUS que funcionam de forma adequada e eficiente, levando inclusive, cidadãos de outros países a procurarem atendimento em diversos locais do sistema de saúde do Brasil. Surge o questionamento:- Porque algumas instituições atendidas pelo SUS funcionam e outras não? Porque possuem a frente de sua gestão profissionais habilitados: ADMINISTRADORES EM SAÚDE.

Há exatos 30 anos, surge o Sistema Único de Saúde, um modelo de Assistência Médica Universal que se resumia nas atividades de promoção de saúde e prevenção de doenças. No decorrer do tempo, a construção do SUS vem aprimorando de forma gradual, atendendo as mudanças temporais e socioculturais da população brasileira, consolidando através da Constituição: “direito de todos e dever do estado”, com a premissa da universalidade, igualdade e integralidade.

O SUS possui uma forma robusta de seus princípios, diretrizes, leis e normativas garantindo uma prestação de serviços de saúde de qualidade e humanizado; ou seja, a estrutura organizacional e a gestão do sistema único de saúde, está preparada para os atendimentos aos usuários; mas na maioria das instituições temos ocorrências da falta de financiamento, filas de atendimento, falta de exames, cirurgias represadas, mortes e outras mazelas, se pararmos e observarmos estará claro que naquele local, não se encontra um profissional da administração em Saúde, habilitado para a função de planejar, organizar, dirigir e controlar as ações administrativas, premissas e expertises do administrador.

Vamos encontrar profissionais de áreas diferentes ou sem qualquer qualificação, ocupando cargos estratégicos nas instituições de saúde e cometendo erros absurdos, demandando problemas gravíssimos à população, entretanto citamos apenas alguns exemplos no universo de inúmeras práticas primárias na condução do SUS nestes trinta anos de existência: - insumos e equipamentos são comprados em grande quantidade, sem controle e perdem-se os produtos por inobservância dos prazos de vencimentos ou desvios sem controle de estoque, compram-se equipamentos que ficam encaixotados ou encostados nos corredores e almoxarifados das instituições, devido à má gestão. Estes recursos poderiam ser aplicados em outras áreas de saúde que necessitam e em se tratando de instituições de média e alta-complexidade, quantos milhões foram gastos e perdidos? E isso sem mencionar a atenção básica.

Contratos onerosos, sem nexo, absorvem boa parte dos recursos, não apresentando prestação de serviços adequados e resultados, sempre colocando as instituições reféns de financiamentos e fornecedores.
Ainda podemos contar de forma negativa as ações judiciais, embora a judicialização seja um direito do cidadão, o usuário pede na justiça o atendimento de forma tutelar para antecipar o serviço de saúde e dependendo do valor deste atendimento, comprometem a saúde financeira das instituições, provocando a retirada de recursos pré-programados para outros serviços de saúde, em demanda, para atender exclusivamente este usuário, além de furar fila de atendimento e levar vantagem sobre os outros usuários que também estão na fila de espera.

Ao fazermos a análise de profissionais que estão dirigindo algumas instituições do país, percebe-se que não são administradores de saúde; são indicações políticas ou grupos corporativistas, que provocam o caos na saúde, seja por desvios de dinheiro, haja vista que todas estas informações estão a todo momento nas notícias e tribunais da justiça, demonstrando o rombo de recursos públicos da saúde, seja pela corrupção que corroem alguns profissionais, seja por não terem capacidade técnica para gerir uma instituição. São mazelas evitáveis, onde perdem-se milhões de reais, por não serem geridas por profissionais capacitados.

É claro que existem várias outras demandas que poderiam ser levantadas: a desigualdade regional do nosso país, a ausência de prioridade no tratamento preventivo e não corretivo, que influencia nos atendimentos e financiamentos do SUS, mas precisamos demonstrar as ineficiências dos atuais gestores na saúde: a falta de prestação de contas de recursos recebidos, que ocasionam a perda de novos recursos, a ausência de habilitação e credenciamento das instituições, a não utilização de recursos monetários dispensados pelo governo, que leva a devolução destes mesmos recursos em sua totalidade, perdendo estados e municípios, bilhões de reais, ou seja, houve recurso mas não houve gestão. A mudança deve ocorrer através do trabalho, da educação, fazendo com que o administrador em saúde, ocupe seu espaço, provando que onde o profissional administrador atua na sua devida área, obtém êxito e sucesso, ganho de melhor atendimento, resolutividade dos processos e humanização dos profissionais.

Que nos próximos anos de vida do Sistema Único de Saúde, possamos aqui, evidenciar e citar conquistas. A saúde tem custos, mas é conduzida e gerida por pessoas, que devem praticar de forma adequada suas ações, para isso os profissionais que a gerem, devem ser administradores habilitados para o exercício dessa função. Diante de todas estas dificuldades de gestão e subfinanciamento, o sistema único de saúde nestes 30 anos, continua atendendo e servindo a todos os brasileiros e estrangeiros, oferecendo tratamento de prevenção, tratamentos de tecnologia de ponta, medicações, médicos especialistas, radioterapia, quimioterapia, internações em UTI e outros serviços de saúde na promoção e desenvolvimento da saúde da nossa população; demonstrando que existem instituições da rede SUS, que efetuam os serviços de saúde com qualidade e resultados aos usuários, através da ferramenta de Administração em Saúde. Nosso Sistema Único de Saúde: “Ruim com ele, pior sem ele”.

*CRA/MS 6-00149 Especialização em Gestão do Trabalho e Educação na Saúde pela UFRN, MBA em Gestão Estratégica de Negócios pela Universidade Anhanguera- UNIDERP, Graduado em Gestão de Saúde pela Universidade Anhanguera- UNIDERP. Atualmente é Consultor Especialista na Administração em Saúde nas Instituições Públicas e Privadas.

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